Concursos Públicos e a Resistência dos Coronéis: Até Quando?
Por Prof. Edilson RochaA chegada de novos concursados ao serviço público do Tocantins tem causado um verdadeiro abalo nas estruturas políticas tradicionais. Durante anos, prefeitos e grupos políticos acostumaram-se a indicar aliados para cargos estratégicos, consolidando um ciclo de dependência e favorecimento. Essa velha prática, herdada da Primeira República, onde o "café com leite" controlava o Brasil, ainda sobrevive em nossa realidade política local.
No entanto, quando servidores concursados assumem seus postos por mérito, sem a necessidade de apadrinhamento político, esse sistema se enfraquece. E é exatamente isso que tem incomodado aqueles que sempre trataram a máquina pública como um cabide de empregos para aliados. A presença de concursados representa uma ameaça direta ao poder desses grupos, pois limita sua influência e reduz a troca de favores.
Em Taguatinga, já tivemos exemplos de liderança que promoveram concursos públicos, como os ex-prefeitos Joci e Eronides, permitindo que a população tivesse acesso justo a oportunidades no serviço público. Mas, de lá para cá, o que vimos foi o retorno das velhas práticas, onde contratações temporárias e indicações políticas voltaram a ditar as regras do jogo. Essa política arcaica não apenas compromete a qualidade dos serviços públicos, mas também perpetua o controle dos "coronéis" sobre a população.
E quando os concursados conseguem furar esse bloqueio, a reação das velhas oligarquias é previsível: retaliação, perseguição e tentativas de impedir que esses profissionais exerçam seu direito ao trabalho. O caso da minha própria trajetória serve como exemplo. Após exercer um mandato político, tenho sido impedido de retornar ao meu cargo de professor, algo que deveria ser garantido por lei. Infelizmente, essa resistência não acontece apenas comigo, mas com diversos servidores que lutam na Justiça para garantir direitos básicos.
Diante disso, cabe uma pergunta: onde está o Judiciário do Tocantins? Em Taguatinga, há casos de servidores que já obtiveram decisões favoráveis, mas que ainda enfrentam a morosidade dos trâmites legais. Enquanto isso, aqueles que não temem processos seguem postergando suas ações, num jogo maquiavélico para manter o poder por mais tempo.
O tempo vai passar, e espero sinceramente que possamos ver o fim dessa politicagem suja e ultrapassada. O Brasil precisa romper de vez com essa herança da Velha República, onde o poder está nas mãos de poucos, enquanto o povo fica refém de favores e conchavos.
Liberdade para o povo! Concurso já!
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